Jornal ÉME – Luanda – 05.02.2026 – A República de Angola e a República da Sérvia manifestaram, na terça-feira (04), em Belgrado, a vontade política de reforçar a cooperação bilateral e dinamizar os laços históricos que unem os dois países.

A intenção foi expressa ao mais alto nível durante uma audiência concedida pelo Presidente sérvio, Aleksandar Vučić, ao embaixador de Angola acreditado naquele país, Eduardo Filomeno Bárber Leiro Octávio.

O encontro serviu igualmente para a apresentação das cartas credenciais, acto que habilita formalmente o diplomata angolano a exercer funções como chefe da missão diplomática de Angola na Sérvia.

Angola e a Sérvia, herdeira jurídica da antiga República Socialista Federativa da Jugoslávia, mantêm relações diplomáticas desde Abril de 1977, sustentadas por acordos de cooperação nos domínios técnico-científico e cultural.

Antes de assumir funções em Belgrado, Eduardo Filomeno Bárber Leiro Octávio exerceu o cargo de embaixador de Angola no Ruanda.

É licenciado em Direito pela Universidade Agostinho Neto e pós-graduado em Estratégia e Segurança pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, tendo desempenhado diversos cargos de elevada responsabilidade no aparelho do Estado angolano.

Entretanto, Angola foi incluída no acordo comercial preferencial entre os Estados Unidos da América e África, recentemente reativado, que abrange cerca de 30 países africanos, incluindo Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O acordo resulta da prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, na sigla em inglês) e permite a exportação de mais de sete mil produtos africanos para o mercado norte-americano sem cobrança de impostos, até 31 de Dezembro do corrente ano.

Criada em 2000, durante a presidência de Bill Clinton, a AGOA é considerada um dos principais instrumentos das relações económicas entre os EUA e os países da África subsariana, facilitando o acesso preferencial de produtos africanos ao mercado norte-americano.

O benefício está condicionado ao cumprimento de critérios como pluralismo político, respeito pelos direitos humanos e implementação de medidas eficazes de combate à corrupção.

Com a renovação do acordo até 2026, países como Angola ganham uma oportunidade estratégica para ampliar exportações, atrair investimento e reforçar a presença no comércio internacional, num contexto em que a diversificação económica continua a ser uma prioridade.

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