OPINIÃO:
MEMÓRIA E NAÇÃO
Por: Joaquim Guilherme (Jornalista)
O 23 de Março, Dia da Libertação da África Austral, simboliza um dos momentos mais decisivos da história recente do continente africano. A data remete ao fim da Batalha do Cuito Cuanavale, em Angola.
Mais do que um episódio militar, trata-se de um acontecimento com impacto político regional. A batalha alterou o equilíbrio de forças na África Austral e abriu caminho para mudanças profundas.

Entre 1987 e 1988, Angola foi palco de um confronto que envolveu forças internas e interesses externos. O conflito refletia também o contexto da Guerra Fria e a luta contra o apartheid.
Apesar das narrativas divergentes sobre vencedores, o essencial é o seu impacto histórico. O desfecho da batalha marcou o início de uma nova etapa para a região.
O fim dos combates, a 23 de Março de 1988, impulsionou negociações internacionais. Estas resultaram nos Acordos de Nova Iorque e na retirada de tropas estrangeiras.
As consequências foram significativas, a independência da Namíbia e o enfraquecimento do regime do apartheid. Este processo contribuiria, mais tarde, para a libertação de Nelson Mandela.
O reconhecimento da data pela SADC, em 2018, reforça o seu valor histórico. É também um convite à preservação da memória coletiva africana.
Mais do que celebrar, é essencial educar as novas gerações. Preservar esta memória é garantir que o legado de liberdade continue vivo.


