NOTA DO DIRECTOR:
O Jornal ÉME completa hoje, dia 17 de Setembro de 2026, 30 anos de existência. Três décadas de uma trajectória marcada por desafios, aprendizagens, transformações e, sobretudo, pelo compromisso de comunicar e de servir os seus leitores.
A celebração desta data reveste-se de um significado ainda mais especial por coincidir com o Dia do Fundador da Nação e Herói Nacional, Dr. António Agostinho Neto, figura incontornável da História de Angola, cuja vida e obra permanecem profundamente ligadas aos ideais de liberdade, dignidade, soberania e construção de uma Nação próspera.
Esta coincidência convida-nos, inevitavelmente, a uma reflexão sobre a relação entre o papel do Jornal ÉME, enquanto órgão de informação oficial do MPLA, e o legado de Agostinho Neto, médico, político, poeta e estadista, cuja intervenção na história contemporânea de Angola ultrapassou os limites do seu tempo.
Agostinho Neto consagrou grande parte da sua vida à causa da libertação de Angola. A sua participação na luta contra o colonialismo, desde a resistência clandestina até à Luta Armada de Libertação Nacional, esteve associada ao processo que conduziu à proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, e ao início de uma nova etapa na construção do Estado angolano.
A memória de uma figura histórica, porém, não se preserva apenas através das efemérides. Preserva-se também através do conhecimento, do estudo, do debate e da comunicação permanente às novas gerações. É neste espaço que o Jornal ÉME encontra uma parte importante da sua responsabilidade: registar, informar, contextualizar e contribuir para a preservação da memória política e histórica do país, dando a conhecer os acontecimentos, os protagonistas e os valores que marcaram a caminhada de Angola.
Mais do que recordar o passado, importa compreender o seu significado para o presente e para o futuro. É nessa perspectiva que o legado de Agostinho Neto constitui uma referência para o Jornal ÉME, particularmente no que diz respeito à importância da comunicação como instrumento de informação, formação e educação dos cidadãos.
UMA TRAJECTÓRIA DE TRANSFORMAÇÃO
Desde o seu aparecimento, em 1996, o Jornal ÉME percorreu diferentes etapas de desenvolvimento. Nasceu como uma publicação de características essencialmente partidárias, num contexto comunicacional muito diferente do actual, e foi acompanhando as profundas transformações ocorridas no país, na sociedade e no próprio sector da comunicação social.
Hoje, a realidade é outra. A revolução tecnológica transformou profundamente a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. O jornalismo deixou de estar limitado ao papel e aos ciclos tradicionais de publicação. A informação circula em tempo real, alcança públicos cada vez mais amplos e exige dos profissionais novas competências, maior capacidade de adaptação e, sobretudo, responsabilidade acrescida.
O Jornal ÉME não poderia ficar alheio a essa transformação. A sua evolução para uma plataforma predominantemente digital e de abordagem mais generalista representa uma resposta aos novos hábitos de consumo de informação e ao actual contexto de pluralismo informativo e de expressão, em conformidade com os princípios estabelecidos pela legislação de imprensa em vigor na República de Angola.
Ao longo destes 30 anos, o Jornal ÉME afirmou-se igualmente como veículo de cobertura das actividades do Partido, procurando manter uma presença de âmbito nacional através da sua rede de colaboradores e correspondentes nas diferentes províncias.
Esta dimensão nacional é particularmente importante porque permite aproximar o órgão dos cidadãos, das comunidades e das diferentes realidades que compõem Angola. Um jornal que pretende servir o seu público deve estar atento não apenas às grandes decisões e acontecimentos nacionais, mas também às histórias, preocupações, expectativas e conquistas das populações.
ENTRE OS DESAFIOS E A RESILIÊNCIA
Nenhuma trajectória de três décadas se faz sem dificuldades.
O Jornal ÉME conheceu momentos de maior dinamismo e outros de maiores constrangimentos, resultantes de factores internos e externos, alguns inerentes à própria natureza e evolução do órgão. Houve períodos em que a publicação impressa era regular, aguardada pelos leitores e distribuída por todo o território nacional, chegando inclusive a militantes e leitores no estrangeiro.
Os tempos mudaram. Mudaram os meios, mudaram os ritmos e mudaram as expectativas do público. Mas permanece a necessidade de comunicar.
É justamente neste ponto que reside uma das maiores forças do Jornal ÉME: a capacidade de se adaptar sem perder a sua identidade e a sua missão.
A passagem do suporte impresso para o ambiente digital não deve ser entendida apenas como uma mudança tecnológica. É, acima de tudo, uma mudança de paradigma. Exige mais rapidez, mas também mais rigor; exige maior alcance, mas também maior responsabilidade; exige criatividade, mas sem abdicar dos princípios éticos e profissionais que devem orientar a actividade jornalística.
Por isso, o futuro do Jornal ÉME passa necessariamente pelo aproveitamento das novas tecnologias, pela valorização dos seus profissionais, pelo reforço das competências técnicas e editoriais e pela capacidade de compreender permanentemente as necessidades do seu público.
UMA ESCOLA DE CONHECIMENTO E REALIDADE
Trabalhar no Jornal ÉME, como confirmam os seus quadros, constitui uma experiência profissional singular. Ao longo dos anos, esta casa tem proporcionado aos seus profissionais a oportunidade de acompanhar de perto os acontecimentos políticos e sociais do país, compreender diferentes dimensões da vida nacional e conhecer, através do contacto com as populações, as múltiplas realidades que constituem Angola.
Essa experiência tem um valor que transcende o exercício quotidiano da profissão. Ela representa também uma forma de aprendizagem permanente.
É através do contacto com as pessoas, com as instituições, com as comunidades e com os diferentes sectores da sociedade que o jornalista amplia a sua compreensão do país que procura retratar. E quanto maior for essa compreensão, maior será também a responsabilidade de produzir uma informação rigorosa, útil, equilibrada dentro da sua linha editorial e capaz de estabelecer uma relação de confiança com os leitores.
Apesar das limitações e dos constrangimentos que marcaram diferentes momentos da sua história, a equipa do Jornal ÉME tem demonstrado capacidade de trabalho, dedicação e resiliência. É essa mesma determinação que nos deve conduzir nesta nova etapa.
UM COMPROMISSO PARA O FUTURO
Celebrar 30 anos não significa apenas olhar para aquilo que foi feito. Significa, sobretudo, perguntar o que ainda podemos fazer melhor.
O Jornal ÉME deve continuar a evoluir, acompanhando as transformações da sociedade angolana e do mundo da comunicação. Deve investir na qualidade dos conteúdos, na inovação, na presença digital e na proximidade com os leitores. Deve, igualmente, reforçar a capacidade de informar sobre os grandes temas nacionais, sem perder de vista as realidades concretas das comunidades e dos cidadãos.
Neste aniversário, a ligação simbólica ao Dia do Fundador da Nação e Herói Nacional ganha, por isso, particular relevância. A figura de Agostinho Neto recorda-nos que a construção de uma Nação é um processo permanente e que cada geração recebe a responsabilidade de dar continuidade à obra colectiva, de acordo com os desafios do seu tempo.
Para o Jornal ÉME, essa responsabilidade traduz-se no compromisso de informar, formar, educar e recrear, contribuindo para uma sociedade mais consciente, participativa e conhecedora da sua própria realidade. Uma comunicação responsável deve valorizar a transparência, o respeito pelas regras, a liberdade de expressão e o interesse público, sem perder de vista a sua identidade e a sua linha editorial.
UM ANO DE CELEBRAÇÕES E RESPONSABILIDADES
O ano de 2026 assume, para o Jornal ÉME, uma dimensão particularmente significativa. Além dos seus 30 anos de existência, o MPLA assinala igualmente os 70 anos da sua fundação, o que torna este período uma oportunidade para reflectir sobre a história, o presente e os desafios futuros da organização e dos seus instrumentos de comunicação.
Neste momento especial, quero dirigir uma palavra de reconhecimento, apreço e incentivo a todos os funcionários, jornalistas, técnicos, colaboradores e demais profissionais que, com o seu trabalho diário, contribuem para a existência e continuidade do Jornal ÉME.
É graças ao empenho colectivo que conseguimos chegar até aqui. E será igualmente através do trabalho colectivo, da competência, da disciplina profissional e da resiliência que poderemos construir o jornal que queremos para os próximos anos.
Aos nossos leitores, em Angola e além-fronteiras, dirigimos o nosso mais profundo agradecimento.
São vocês a razão de ser de qualquer órgão de comunicação. O vosso acompanhamento, a vossa participação e, também, a vossa crítica constituem instrumentos fundamentais para o nosso crescimento. É através dessa relação que podemos identificar insuficiências, corrigir caminhos e encontrar novas formas de melhor servir o público.
Aos nossos superiores hierárquicos, expressamos igualmente o nosso reconhecimento pelo acompanhamento, pela orientação e pelo esforço no fortalecimento das condições necessárias ao exercício da nossa missão. Reiteramos, ao mesmo tempo, o nosso apelo à continuidade do investimento na valorização dos profissionais e no reforço das capacidades técnicas, editoriais e tecnológicas do Jornal ÉME.
OLHAR PARA ANGOLA, COMUNICAR ANGOLA
Ao completar 30 anos, o Jornal ÉME reafirma o propósito de continuar a trabalhar com dedicação na divulgação das políticas, iniciativas, valores e realizações que integram a sua linha editorial e que considera relevantes para o desenvolvimento de Angola e para o bem-estar dos seus cidadãos.
Queremos continuar a dar visibilidade às diferentes dimensões da vida nacional, acompanhar as transformações do país, aproximar-nos cada vez mais das populações e contribuir para uma comunicação política e social capaz de dialogar com os novos tempos.
É UMA TAREFA EXIGENTE. MAS É TAMBÉM UMA TAREFA NECESSÁRIA
Três décadas depois da sua criação, o Jornal ÉME olha para o caminho percorrido com sentido de responsabilidade e para o futuro com determinação. A experiência acumulada ensina-nos que nenhuma instituição permanece relevante se não souber adaptar-se, aprender e renovar-se.
Os próximos anos exigirão de nós mais profissionalismo, mais criatividade, mais inovação e uma atenção permanente aos leitores e à realidade angolana.
É esse o compromisso que renovamos neste 30.º aniversário.
Que a memória, o conhecimento e a comunicação continuem a ser instrumentos ao serviço da construção de Angola.
PARABÉNS AO JORNAL ÉME PELOS SEUS 30 ANOS!
PARABÉNS A TODOS OS QUE FIZERAM E FAZEM PARTE DESTA HISTÓRIA!
UM BEM-HAJA A TODOS!
O DIRECTOR

