Jornal ÉME – Luanda – 23.11.23 – O Presidente da República, João Lourenço, realçou quarta-feira (22), o papel activo de Angola na busca de soluções efectivas para a resolução dos conflitos em África, por acreditar que a perseverança leva a bons resultados.

O Chefe de Estado, que discursava na abertura da Terceira Edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, Bienal de Luanda, que decorre até sexta-feira,24, na cidade capital, destacou a importância da convivência pacífica no seio das sociedades para os países africanos, onde é fundamental fazer-se uma pedagogia permanente, principalmente junto dos jovens, para a necessidade de defender e preservar a paz, como condição primária para o desenvolvimento económico e social do continente africano.

“Desde o alcance da nossa independência e durante três décadas consecutivas, Angola viveu a triste realidade de um conflito armado entre filhos da mesma mãe pátria, que nos deixou lições extremamente úteis, tendo-nos levado a desarmar os espíritos e a enveredar pelo caminho da paz, da reconciliação, da harmonia, do entendimento e da convivência pacífica entre todos, e transformado o nosso país num espaço em que se tornou possível dedicarmo-nos todos às tarefas do progresso e do desenvolvimento”, frisou João Lourenço.

Segundo o Anfitrião da Bienal de Luanda, apesar da diversidade cultural constituir um inegável activo social de África, a sua desvirtuação pode criar tensões sociais e até mesmo conflitos desnecessários, pelo que o tema do fórum coloca o desafio de “forjar novos paradigmas e elevar o respeito pela diferença como pedra angular na edificação de sociedades cada vez mais imunes à violência”.

Promover uma cultura de paz, prosseguiu João Lourenço, implica a valorização do coletivo, estimula o respeito pelas diferenças, consagra a diversidade como fonte de riqueza a proteger e pode agir como um factor impulsionador do reforço da justiça social, da equidade e da inclusão.

O Presidente da República, defendeu iniciativas para pôr um fim definitivo aos conflitos em África e se iniciar, “sem nenhuma espécie de constrangimento”, o processo de desenvolvimento sustentável de África, apelando a ações concertadas entre todos, com o envolvimento activo da UA, citando exemplos problemáticos como o Sudão, as acções terroristas na região do Sahel e os golpes de Estado em alguns países da África Ocidental e Central.

“Esta situação nem sempre tem merecido a nossa mais vigorosa condenação e repulsa, havendo mesmo casos em que se confere aos golpistas o mesmo tratamento devido aos legítimos detentores do poder, o que choca com os princípios e valores defendidos pela União Africana”, referiu.

No final da intervenção, o Presidente João Lourenço deixou um repto aos presentes, reiterando, o facto de que, o continente africano é maioritariamente de jovens, com um conjunto de aspirações e expectativas quanto ao seu futuro, “o qual se deve procurar atender, levando sempre em consideração o seu papel de força motriz da mudança, da evolução, do progresso, do desenvolvimento e da construção de sociedades criativas e inovadoras”.

A cerimónia de abertura da Terceira Edição da Bienal de Luanda, foi prestigiada com a presença dos Presidentes de Cabo Verde, José Maria das Neves, de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, da Etiópia, Sale-Work Zewed, Diretor-adjunto da Unesco, Xing Qu, o Presidente da Comissão da União Africana, Moussa Mahmat entre outras individualidades.

O evento, com periodicidade bianual, está subordinado ao lema “Educação, Cultura de Paz e Cidadania Africana, como Ferramentas para o Desenvolvimento Sustentável do Continente”.

Texto: NBS
Foto: AP