Jornal ÉME – Luanda – 26.07.2025 – No segundo dia da Cimeira dos Ex-Movimentos de Libertação da África Austral, realizado a 26 de Julho, sob o lema “Defender os Ganhos da Independência, Promovendo o Desenvolvimento Socioeconómico Integrado e Fortalecer a Solidariedade por uma África Melhor”, destacou-se a intervenção do Secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Internacionais, Manuel Augusto, que discursou em representação do Secretário-Geral do MPLA, camarada Paulo Pombolo.
No início da sua intervenção, Manuel Augusto saudou os participantes e felicitou o Congresso Nacional Africano (ANC) pela excelente organização do evento. Sublinhou a actualidade e relevância do lema da Cimeira, face aos desafios políticos, económicos e sociais enfrentados pela região e às novas formas de acção do neocolonialismo.
No seu discurso, evocou o legado dos heróis da libertação africana, como Agostinho Neto, Nelson Mandela e Samora Machel, afirmando que os actuais dirigentes têm a responsabilidade histórica de dar continuidade à luta pela liberdade, agora através da conquista da independência económica dos seus povos.
Destacou ainda a importância da solidariedade regional e do internacionalismo, lembrando a célebre frase de Agostinho Neto segundo a qual “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta”, como um apelo permanente à união entre os antigos movimentos de libertação.
O dirigente do MPLA sublinhou que a juventude deve ocupar um lugar central nas políticas públicas, por constituir a maioria das bases eleitorais e representar uma força transformadora das sociedades. Defendeu, por isso, a implementação urgente de projectos e programas orientados para os jovens.
No plano internacional, Manuel Augusto expressou a profunda preocupação do MPLA com a escalada militar no Leste Europeu e no Médio Oriente, condenando os conflitos armados entre a Rússia e a Ucrânia, bem como entre Israel e diversos actores regionais.
Apelou, em nome do MPLA, ao fim da violência e à substituição das armas pelo diálogo, como caminho para a paz e estabilidade globais. Referiu também a situação na República Democrática do Congo e no Rwanda, bem como a guerra civil no Sudão, pedindo maior empenho internacional na busca de soluções políticas para essas crises.
Em relação ao continente africano, felicitou a República do Gabão pela condução exemplar de um processo de transição política e alertou para o perigo crescente dos golpes de Estado, os quais, segundo frisou, representam uma violação à vontade soberana dos povos e comprometem os ciclos democráticos.
Manuel Augusto reafirmou ainda o apoio do MPLA à autodeterminação do Saara Ocidental, ao reconhecimento da Palestina como Estado soberano e à exigência do fim do bloqueio económico imposto a Cuba, considerando essas causas como imperativos de justiça e respeito pelo Direito Internacional.
Relativamente à situação interna de Angola, informou que, na sequência da vitória do MPLA nas eleições de 2022, o partido está focado na execução do seu programa de governação, liderado pelo Presidente João Lourenço, com prioridade para as reformas no sistema de justiça, o combate à corrupção, o reforço das liberdades fundamentais e o desenvolvimento sustentável do país.
Além da intervenção do MPLA, o painel contou com a participação dos Secretários-Gerais dos demais partidos históricos da região, bem como das representações da Liga da Juventude, da Liga das Mulheres e da Liga dos Antigos Combatentes.
As discussões centraram-se na necessidade de reforçar a unidade e a cooperação entre os ex-movimentos de libertação, estabelecer mecanismos de fiscalização dos compromissos assumidos, reforçar a vigilância regional face a ameaças externas, e promover de forma efectiva a inclusão das mulheres e o empoderamento da juventude, com vista ao desenvolvimento económico e integração da região.
A Cimeira, que continua a decorrer na República da África do Sul, constitui uma plataforma de reafirmação dos laços históricos e da visão partilhada pelos partidos que protagonizaram a libertação do continente africano.

