Jornal ÉME – Luanda – 27.11.2025 – O Secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais, João de Almeida Azevedo “Jú Martins”, afirmou (26), em Luanda, que o Partido vai continuar a demonstrar solidariedade e apoio, recorrendo às instituições do Estado sempre que necessário, para defender o direito à autodeterminação e a instauração do Estado palestino soberano.

Em representação da Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa, o político falava aos jornalistas durante a comemoração do Dia Internacional de Solidariedade para com o Povo Palestino e no acto de Lançamento do Comité Angolano de Solidariedade com o Povo Palestino (CASPP),.

Jú Martins afirmou que a instauração de um Estado palestino pleno e soberano é um direito inalienável, que deve ser promovido tanto através das organizações de solidariedade como por meio de acções directas que o Partido possa desenvolver em defesa dos direitos e das liberdades do povo palestino.

“Conforme puderam observar, existe uma tradição de luta comum entre Angola e o povo palestino, desde os primórdios da luta pela autodeterminação e independência. Angola conquistou a sua Independência em 11 de Novembro de 1975, mas o povo palestino continua sem ver concretizado o sonho de um Estado soberano”, afirmou o dirigente no Memorial Dr. António Agostinho Neto.

DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE COM O POVO PALESTINO CARREGA SIGNIFICADO HISTÓRICO

Por sua vez, o embaixador do Estado da Palestina em Angola, S.E. Dr. Jubrael Shomali, destacou que o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, assinalado a 29 de Novembro, não foi escolhido de forma arbitrária.

Segundo explicou, a data remete para a Resolução 181 das Nações Unidas, aprovada em 29 de Novembro de 1947, que prevê a criação de um Estado palestino.

O diplomata afirmou que a implementação desse plano foi inviabilizada por acções de grupos armados sionistas, que, pela força, impediram o estabelecimento do referido Estado.

Entretanto, no seu discurso, Jubrael Shomali sublinhou que Israel não reconheceu a Resolução 181, nem a Resolução 194 da ONU, salientando que o Estado palestino permanece, há décadas, apenas no papel.

Acrescentou ainda que, por causa deste impasse, o povo palestino continua a enfrentar uma realidade marcada pela vida em campos de refugiados e por aquilo que descreveu como um regime de ocupação militar.

A relação entre Angola e a Palestina tem raízes no final dos anos 1960 e início da década de 1970, quando ambos os povos se encontravam na mesma trincheira de luta. Nesse período, angolanos e palestinos enfrentavam processos de libertação nacional e partilhavam a resistência contra a dominação colonial, unidos pela defesa da dignidade, da liberdade e do direito à autodeterminação dos povos oprimidos.

Texto: JG
Fotos: DG