Jornal ÉME – Luanda – 05.03.2026 – A Igreja e o Governo reafirmaram, esta quarta-feira (04), em Luanda, o compromisso conjunto na prevenção e erradicação da fístula obstétrica.

O posicionamento foi assumido durante a Conferência Nacional sobre o Papel da Igreja na Prevenção da doença, promovida pelo Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), em parceria com a Associação Votoka.

O evento contou com a participação da Secretária do Comité Provincial da OMA de Luanda, Luzia Policarpo, em representação da Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa.

Na abertura do encontro, realizado no Auditório do Instituto Superior Politécnico Tocoistas, o secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, defendeu um maior envolvimento das igrejas na sensibilização das comunidades.

Em representação da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, considerou o encontro “um momento ímpar de grande relevância humana e social”.

O governante afirmou que a fístula obstétrica é “uma das situações mais graves e silenciosas da saúde materna”.
Explicou que a condição resulta, na maioria dos casos, de partos prolongados e da falta de acesso a cuidados obstétricos de emergência.

Segundo dados apresentados, entre 10 mil e 15 mil mulheres vivem com a doença em Angola, num universo estimado de cerca de dois milhões na África Subsaariana.
Acrescentou que quase todos os casos podem ser prevenidos com acesso adequado aos cuidados de saúde e identificação precoce dos factores de risco.

Entre 2017 e 2024, informou ainda, foram enquadrados 46.705 novos profissionais de saúde, dos quais 80 por cento estão colocados nos cuidados primários, reforçando a resposta do Executivo no sector.

À margem da conferência, o secretário-geral do CICA, reverendo Vladimir Agostinho, destacou que a igreja está a mobilizar e formar diferentes categorias de líderes religiosas para actuarem directamente na prevenção da doença.

Segundo explicou, estão a ser capacitadas pastoras, diaconisas, evangelistas e outras líderes femininas. O objectivo é instruir mulheres nas igrejas e nos bairros sobre a prevenção e identificação da fístula obstétrica.

O líder religioso alertou para o impacto social da doença, referindo que muitas mulheres acabam isoladas devido ao mau cheiro provocado pela condição. Enfrentam, muitas vezes, abandono familiar e até a dissolução do casamento.

“Se a igreja, os líderes religiosos e as comunidades não tiverem um forte conhecimento sobre a questão, essas mulheres acabam caindo na depressão, por conta do isolamento”, advertiu.

A iniciativa contou com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e integrou debates sobre saúde materno-infantil, planeamento familiar, nutrição e estratégias comunitárias de prevenção.

Texto: JG
Fotos: DG