Jornal ÉME – Luanda – 26.07.2025 – A República da África do Sul acolhe, de 25 a 28 de Julho, a Cimeira dos Ex-Movimentos de Libertação da África Austral. O encontro reúne representantes de partidos históricos da região, incluindo uma delegação do MPLA chefiada pela Vice-Presidente do partido, Mara Quiosa.
Participam também na Cimeira a SWAPO (Namíbia), ZANU-PF (Zimbabwe), Chama Cha Mapinduzi (Tanzânia), FRELIMO (Moçambique) e o ANC (África do Sul), que assume o papel de anfitrião.
O principal foco do encontro são as estratégias de desenvolvimento socioeconómico da África Austral, numa altura em que a região enfrenta novos desafios resultantes das dinâmicas da política internacional. Estes partidos, unidos pela história de luta contra os regimes coloniais português e britânico, bem como contra o sistema do apartheid, procuram agora reforçar a cooperação no presente e traçar um futuro comum.
Em declarações à imprensa, o Secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Internacionais, Manuel Augusto, destacou a importância do evento:
“Esta cimeira assume um valor transcendental. Há anos que não realizávamos um encontro deste nível. O contexto internacional actual, com o avanço da extrema-direita e as suas implicações para os partidos progressistas, exige uma resposta firme e coordenada por parte dos antigos movimentos de libertação.”
Segundo o dirigente, a reunião permitirá avaliar conjuntamente a situação política global, reflectir sobre os riscos emergentes e definir medidas para proteger os ganhos alcançados desde as independências, consolidar a democracia e melhorar as condições de vida das populações.
Manuel Augusto sublinhou ainda a existência de plataformas de cooperação entre os partidos, como a Escola de Liderança Julius Nyerere, na Tanzânia, que promove a formação de quadros e o intercâmbio político-ideológico. No entanto, considera essencial que, ao mais alto nível, os partidos adoptem estratégias concertadas para fazer face aos desafios actuais:
“A extrema-direita global, com ligações às grandes potências, representa uma ameaça real à nossa existência enquanto partidos progressistas. Precisamos de encontrar, no seio do continente, os antídotos necessários para proteger os nossos povos dessa influência perniciosa.”
A Cimeira reafirma a solidariedade entre os partidos que, ontem, lideraram a luta pela independência, e que hoje continuam empenhados na construção de uma África soberana, unida e desenvolvida.

