Jornal ÉME — Luanda — 07.04.2026 – Fiéis de diversas denominações religiosas participaram, no dia 4 de Abril, em Luanda, num culto ecuménico de acção de graças alusivo aos 24 anos da Paz e Reconciliação Nacional. Durante o encontro, os participantes exaltaram as conquistas alcançadas e reforçaram o espírito de fraternidade entre os angolanos.
A cerimónia decorreu no Templo Sede da Igreja Kimbanguista, no município da Camama, e contou com a presença de membros do Executivo e de várias sensibilidades políticas. Entre os participantes, destacou-se Maria Idalina Valente, secretária do Bureau Político do MPLA para a Política Económica e Social, em representação da Vice-Presidente do Partido, Mara Quiosa, bem como directores de departamentos do Comité Central, nomeadamente Manuel Correia Victor, Domingos Dombele e Nhanga Calunga de Assunção.
No final do acto, Maria Idalina Valente elogiou a organização do evento e sublinhou que o momento serviu para apelar a todos os angolanos à promoção de uma cidadania livre, consciente e participativa.
A dirigente recordou ainda os efeitos negativos da guerra, destacando que “a guerra trouxe consigo uma profunda desestruturação das famílias, cujos impactos ainda se fazem sentir”. Por isso, apelou à preservação da Paz e ao compromisso contínuo com o seu fortalecimento.
A celebração foi uma iniciativa da Comissão Intereclesial, composta pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Aliança Evangélica, Conselho de Igrejas Cristãs de Angola, Fórum Cristão Angolano e Liga Ecuménica de Igrejas em Angola. Segundo os líderes religiosos, o encontro reuniu fiéis com o propósito de agradecer a Deus pela paz efectiva no país e pela sua manutenção ao longo dos últimos 24 anos.
Ao reflectirem sobre o percurso até à conquista da Paz, os clérigos expressaram profunda gratidão, destacando valores como a calma, a solidariedade e o amor, que hoje caracterizam a sociedade angolana. Enalteceram ainda os ganhos da Paz e da Reconciliação Nacional, sublinhando o fim de um conflito fratricida que durou 27 anos.
Sob o lema “O Senhor conserva em perfeita paz o povo que confia nele”, baseado em Isaías 26:3, os prelados descreveram o período actual como uma fase de crescimento do país, consolidação da democracia e fortalecimento das instituições públicas, com vista à melhoria do bem-estar das populações.
Os líderes religiosos salientaram também que, com a paz, tornou-se possível expandir a evangelização em todo o território nacional, incluindo vilas, aldeias e povoações antes afectadas pelo conflito. Referiram ainda que as obras de reconstrução em curso — como escolas, hospitais e o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto — são motivos de orgulho para todos os angolanos.
CLÉRIGOS APELAM O AUMENTO DAS INFRA-ESTRUTURAS BÁSICAS E SOCIAIS
Os líderes religiosos reunidos no culto ecuménico sobre o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, no Templo Kimbaguista de Luanda, apelam ao Executivo angolano a apostar cada vez mais nas infra-estruturas sociais em todos os domínios da vida pública, para permitir que a população usufrua convenientemente dos ganhos da Paz.
“A reconciliação, por ser um processo dinâmico, deve comungar com a aposta do crescimento das infra-estruturas para se poder sarar com facilidade as feridas deixadas pela guerra”, ressaltam em nota de apresentação do evento.
Os prelados angolanos, pedem ao Executivo que prime para um bom atendimento público, com amor ao próximo, enaltecem o surgimento da CIVICOP-Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos, órgão angolano criado em 2019 para localizar, identificar e entregar às famílias os restos mortais das vítimas de conflitos políticos ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002, como sendo projecto que traz consigo a paz na alma, cura no espírito e sossego nas famílias.
Neste sentido, os pastores angolanos parabenizam o Presidente da República, João Lourenço, pela ideia genial e os obreiros desta nobre missão que dia-a-dia traz conforto, reconciliação nacional, paz às almas e o sossego às famílias angolanas.
Texto: JV
Fotos: DG

