Jornal ÉME – Luanda – 10.01.2026 – A Comissão da União Africana (CUA) e os Emirados Árabes Unidos (EAU) reafirmaram (8), em Adis Abeba, capital da Etiópia, a necessidade de reforçar a cooperação no domínio da paz e segurança, com vista à concretização da meta continental de “silenciar as armas” até 2030.

O presidente da CUA, Mahmoud Ali Youssouf, e o ministro de Estado dos EAU, Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan, que chefiaram as respetivas delegações, manifestaram abertura para o aprofundamento do diálogo político contínuo, bem como para o fortalecimento da cooperação no âmbito da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZCLCA). Ambos sublinharam a relação de interdependência entre paz, segurança, comércio e desenvolvimento.

O encontro deu seguimento à primeira ronda de consultas políticas realizada em Abu Dhabi, a 13 de setembro de 2025, no quadro do Memorando de Entendimento assinado em 2019, reafirmando o compromisso mútuo de ambas as partes em consolidar a parceria estratégica entre a União Africana e os Emirados Árabes Unidos.

Durante as conversações, as partes avaliaram os progressos alcançados desde as consultas inaugurais e trocaram pontos de vista sobre áreas prioritárias de cooperação.

Nesse contexto, concordaram em intensificar os esforços conjuntos para apoiar essas prioridades estratégicas, reconhecendo que a paz duradoura sustenta a integração económica, enquanto a expansão do comércio e do investimento contribui para a estabilidade, a resiliência e o desenvolvimento sustentável em África.

A ocasião serviu igualmente para saudar o lançamento da iniciativa “IA para o Desenvolvimento”, dos Emirados Árabes Unidos, avaliada em um bilião de dólares, anunciada durante a Cimeira de Líderes do G20, realizada em Joanesburgo, em novembro de 2025. As partes destacaram o potencial da iniciativa para apoiar as prioridades de desenvolvimento do continente africano, através da inovação e da transformação digital.

Mahmoud Ali Youssouf e Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan trocaram ainda impressões sobre a dinâmica da paz e da segurança no Corno de África, realçando a estreita interdependência entre a estabilidade daquela região e a segurança no Golfo Arábico, sobretudo no que diz respeito à segurança marítima e à prosperidade regional.

Relativamente à situação no Sudão, ambos enfatizaram a necessidade de uma trégua humanitária imediata e incondicional, de um cessar-fogo permanente, de acesso humanitário irrestrito em todo o país, da responsabilização por violações do Direito Internacional Humanitário e do estabelecimento de um governo independente liderado por civis, que reflita as aspirações do povo sudanês.

A CUA e os Emirados Árabes Unidos recordaram, a propósito, a declaração conjunta emitida pela Comissão da União Africana e pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), em setembro de 2025.

Referiram também a Conferência Humanitária de Alto Nível realizada à margem da Cimeira da União Africana, em fevereiro de 2025, ocasião em que foram saudados os esforços regionais e internacionais para enfrentar a crise humanitária no Sudão e condenadas as atrocidades cometidas contra civis pelas partes em conflito.

As duas partes reiteraram o seu apoio à integridade territorial e à unidade do Sudão, bem como à necessidade imperativa de uma solução pacífica.

A situação na Somália foi outro tema abordado durante o encontro, com as partes a reafirmarem o apoio à soberania, integridade territorial, segurança e estabilidade daquele país.

Outro ponto da agenda foi a ocupação, pelo Irão, das três ilhas dos Emirados Árabes Unidos — Grande Tunb, Pequena Tunb e Abu Musa. Sobre este assunto, ambos consideraram a ação uma violação da soberania dos EAU e dos princípios da Carta das Nações Unidas, reiterando o apoio ao apelo dos Emirados para uma resolução pacífica da disputa, em conformidade com o Direito Internacional, incluindo por meio de negociações bilaterais ou do Tribunal Internacional de Justiça.

Por fim, tendo como pano de fundo o tema da União Africana para 2026, dedicado à água e ao saneamento, as partes destacaram a Conferência das Nações Unidas sobre a Água de 2026, que será coorganizada pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Senegal, como uma oportunidade estratégica para impulsionar a ação global em prol da resiliência hídrica.

JV/JA