Jornal ÉME – Luanda – 22.08.2026 – A Academia Angolana de Letras (AAL) homenageou, sexta-feira (21), em Luanda, o nacionalista angolano Mário Pinto de Andrade, pelo contributo que prestou para o nacionalismo angolano e africano, enquanto sociólogo, historiador, político, escritor, crítico literário e militar.

A homenagem decorreu no Memorial António Agostinho Neto, num acto que contou com a presença da Secretária do Bureau Político para Política Económica e Social, Idalina Valente, em representação da Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa.
Ao intervir na sessão, o presidente da AAL, Paulo de Carvalho, disse que se tratava de um encontro inserido no programa da instituição de homenagens às figuras históricas ligadas às letras angolanas, que teve início com o reconhecimento do Patrono da Academia, Dr. António Agostinho Neto.
Falando da dimensão sociopolítica do homenageado, o sociólogo bissau-guineense, Carlos Lopes, fez saber que a ideologia política de Mário Pinto de Andrade foi marcada pelo nacionalismo angolano, pan-africanismo e por influências intelectuais de esquerda, que moldaram profundamente o pensamento crítico da juventude africana no período de 1940 a 1950.

A realização do evento visou resgatar a memória histórica de um dos pioneiros do pensamento anticolonial, cuja obra e intervenção crítica tornaram-se pilares da identidade nacional. No plano cultural, a AAL procurou mostrar às novas gerações que literatura, política e cultura se entrelaçam como instrumentos de emancipação e de construção da Pátria.
O momento ficou marcado igualmente com apresentações de depoimentos sobre a figura de Mário Pinto de Andrade, assim como, canções cujas vozes e composições consolidaram e eternizaram o grito de liberdade e a alma do povo angolano no processo rumo à Independência Nacional.
Mário Pinto de Andrade nasceu a 21 de Agosto de 1928 e faleceu a 26 de Agosto. O nacionalista assumiu um papel central na organização e mobilização de intelectuais africanos, que, ao lado de Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Francisco Tenreiro, criaram o Centro de Estudos Africanos, em 1951, com o objectivo de reflectir sobre os problemas do continente.
Estiveram igualmente presentes no evento o ministro da Cultura, Filipe Zau, a secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da AAL, Boaventura Cardoso, deputados, familiares, académicos, investigadores culturais e demais convidados.
Texto: DN
Fotos: AF

